diálogos imaginários, frases de efeito e sentimentos bobos. quem se importaria? afinal, é só mais uma noite inteira jogada fora.

20, brazil.

 

Foi ontem. Já passou.

Mais difícil que a coragem que te falta é o esquecimento que te sobra quando vai embora toda vez pela manhã. E enlouquece quando nota que te despedir parece sempre tão mais perto que dizer que te quero perto. E quando sonho grito baixinho no teu ouvido pra que não sumas escondendo pelas ruas que eu não passo desde que apressou o passo pra me deixar. Mas quando acorda o medo volta, eu mal te olho e sinto muito, já te perdi pela porta.

Isadora não entende nada.

E, no meio disso tudo, às vezes a gente se esbarra. E fala coisas como “e aí, quanto tempo, viu?” e sorrimos, acho que tendo os mesmos pensamentos: tão nossos e de mais ninguém. E daí a gente sempre fala “vamos marcar alguma coisa, colocar o papo em dia” e sorrimos, de novo, sabendo que essa é uma coisa esquisita de se dizer, depois de tanto tempo. Porém, tão deliciosa de se ouvir.

A falta que o outro faz. O bem que fez enquanto esteve ao lado. 

Coisas assim, revigoram. Você sabe. Corpo, alma, mente e coração. 

A gente sente saudade. E o tempo não volta. O relógio está ali e faz tic-tac sem parar. Parece que a gente sempre vai indo junto, mas nunca vamos por completo. Partículas se desmembram mas ficam ali: a espreita. Esperando a oportunidade de encontrar as outras partes que, pequenininhas, já não sabem mais o caminho. Mas encontram, assim: de repente. Feito qualquer um de nós.